quinta-feira, maio 15, 2008

Anonimato livre

A notícia de hoje sobre um grupo de alunos que foram punidos numa escola secundária por terem feito comentários pejurativos aos professores na internet fez-me pensar mais uma vez nesta questão.

Parece que é comum sentirmos uma certa liberdade acrescida quando estamos de alguma forma um pouco mais no anonimato. Fazemos coisas que de outra forma não faríamos ou simplesmente tentamos ser o que não somos. Acho que isto não é novidade, mas gostava imenso de perceber porque é que assim é e o que significa.
Nesta situação, os alunos fazem comentários na internet que não fariam ao vivo. Porquê? Qual é a diferença? Na internet são menos eles próprios? Parece-me que não, e a direcção da escola entendeu o mesmo, tanto que os puniu. E é interessante estarem logo os puristas a reclamarem pela liberdade de expressão. Será que se os alunos tivessem dito as mesmas coisas "ao vivo" aos professores estes puristas viriam com o mesmo discurso? Acredito bem que não senão já estariam a confundir liberdade de expressão com falta de respeito! E o que interessa é que isso se mantém quer seja ao vivo ou na internet.
Também já vi situação parecida mas no meio universitário. Usando o Hi5 com comentários e imagens insultuosas para o professor. Se na situação do secundário ainda posso compreender que os alunos, devido à idade, não tenham a firmeza suficiente para fazer os comentários directamente, na universidade isso já não se aplica. São adultos e podiam muito bem chegar à frente do professor e dizer-lhe o que pensavam sem temerem. Mas não, mantêm-se refugiados atrás do ecrã, continuando eu sem perceber em que é que isso os inibe do acto.

Mas a tendência parece que é mesmo inata. Pois ainda no último JOTI (Jamboree On The Internet) observei frequentemente escuteiros desde a mais tenra idade que enquanto falavam no IRC com outros escuteiros desconhecidos, de outras partes do país ou do mundo, falseavam compulsivamente os seus dados fosse a idade o nome ou outros. E isto sem necessidade nenhuma porque o objectivo da actividade é principalmente trocar experiências verdadeiras e estabelecer contactos verdadeiros. Se eu não o faço que confiança é que posso ter que o outro o esteja a fazer? O que é que eu posso ganhar de uma conversa onde, pela minha atitude, sei que tudo pode ser falso?

E há mais exemplos disto. Como aquilo que somos capazes de fazer quando andamos mascarados no carnaval. Ou estudos que já foram feitos sobre a alteração de comportamento atrás do volante... entre outros.

Será tudo fruto do medo? Será insatisfação com o que somos? Será necessidade de protecção extra?

Enfim... curiosidade.

quarta-feira, abril 02, 2008

Maravilhas contemporâneas...

Queria deixar aqui o meu agradecimento pronto aos maravilhosos eleitores que deram a fantástica maioria absoluta a este governo. Os factos a provarem que estão a tornar a nossa sociedade melhor não param de surgir.

Esta notícia particular da inspecção da ASAE a um centro de dia não me conseguiu deixar indiferente. Como é que é possível fazer-se legitimamente mal? estragar o trabalho dos outros? Tudo em nome da segurança. Mas qual segurança? a imposta por eles? Ainda bem que se faz tanta coisa em nome da liberdade!

Não posso ver estas coisas... como é que a comida não cumprir normas estupidamente subjectivas é proíbido e deitá-la fora simplesmente, quando há pessoas a precisar dela, é permitido?

http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=83792